Juiz dos EUA exclui do processo confissão-chave de acusado de planejar o 11 de Setembro, diz jornal
Plantão da Globo mostra as primeiras informações sobre o atentado de 11 de setembro Um juiz militar dos Estados Unidos decidiu que as confissões de Khalid S...
Plantão da Globo mostra as primeiras informações sobre o atentado de 11 de setembro Um juiz militar dos Estados Unidos decidiu que as confissões de Khalid Shaikh Mohammed, acusado de planejar os ataques de 11 de Setembro, aos agentes do FBI não foram dadas de forma voluntária e não poderão ser usadas no julgamento. As informações foram publicadas pelo jornal The New York Times nesta sexta-feira (28). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mohammed é acusado de ser o principal responsável pelo planejamento dos ataques que mataram quase 3 mil pessoas em Nova York, na Pensilvânia e no Pentágono. Ele vai ser julgado pelo ataque terrorista em junho de 2028. A decisão representa uma derrota para a acusação. A Promotoria considera os depoimentos obtidos em 2007, na base naval americana de Guantánamo, uma das principais provas do caso, segundo o jornal. O juiz Michael Schrama concluiu que a acusação não conseguiu demonstrar que Mohammed havia prestado os depoimentos ao FBI voluntariamente. Segundo o NYT, a decisão levou em consideração o uso de técnicas de coerção psicológica pela CIA contra o acusado. Também pesou o fato de agentes do FBI não terem informado explicitamente que ele poderia permanecer em silêncio ou consultar um advogado. Mohammed foi capturado em 2003 e passou por interrogatórios da CIA em prisões secretas no exterior. Ele foi submetido a técnicas de tortura e permaneceu isolado até ser transferido para Guantánamo, em 2006, segundo o jornal. A defesa argumenta que Mohammed foi submetido a anos de tortura, isolamento e confinamento antes de falar com agentes do FBI. A tese era que as técnicas utilizadas pela CIA haviam influenciado o terrorista a dizer aos investigadores o que eles queriam ouvir. A acusação ainda pode recorrer da decisão. O caso Khalid Sheikh Mohammed é apontado como suposto mentor dos ataques de 11 de Setembro AP O julgamento será realizado por um tribunal militar. O grupo vai analisar o caso de acordo com as regras da Justiça Militar dos EUA. Segundo a acusação, Khalid Sheikh Mohammed concebeu o plano de sequestrar os aviões e treinar pilotos para atingir as Torres Gêmeas. O plano foi levado ao então líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que ordenou o atentado terrorista. Além dele, outros três réus irão a julgamento: Walid Muhammad Salih Mubarak bin 'Atash; Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi; Ali Abdul Aziz Ali. A definição da data ocorre pouco mais de um mês depois de um tribunal de apelação dos EUA impedir que Mohammed e dois dos outros réus se declarassem culpados em acordos que evitariam a pena de morte. O tribunal de apelação derrubou decisões anteriores de um juiz militar e do Tribunal de Revisão da Comissão Militar dos EUA, que haviam considerado válidos os acordos. As propostas de acordo foram apresentadas no ano passado e aceitas pelo oficial responsável por supervisionar as comissões militares em Guantánamo. Em agosto de 2025, porém, o então secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, revogou a autorização, após críticas de parlamentares republicanos. Como será o julgamento Segundo avião é visto se aproximando das Torres Gêmeas antes do impacto AFP Segundo a decisão, o processo começará com a escolha dos militares que formarão o painel responsável pelo julgamento. As alegações iniciais serão apresentadas 30 dias após a formação do painel. Em seguida, a acusação apresentará suas provas. A defesa poderá, então, apresentar pedidos para que os réus sejam absolvidos. As duas partes terão oportunidade de responder aos argumentos e contestar as alegações adversárias. A defesa começará a apresentar suas principais provas 60 dias após o encerramento da apresentação das provas pela acusação. O processo terminará com a definição das penas, caso os réus sejam considerados culpados. O juiz rejeitou o pedido dos promotores para que o julgamento começasse em janeiro de 2027. Segundo ele, a data deixaria pouco tempo para resolver questões relacionadas às provas e outros procedimentos antes do julgamento. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1